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Delcir Sonda doa R$ 20 milhões ao Inter e cobra R$ 60 milhões na Justiça

Empresário liberou o valor para salários atrasados, criticou a gestão de Alessandro Barcellos e alertou para o risco de rebaixamento

Por Redação Agora na Bola

  • Internacional
Delcir Sonda é um histórico parceiro do Inter
Foto: Reprodução/Site Internacional, via ge Rio Grande do Sul

O Internacional recebeu na última semana uma doação de R$ 20 milhões do empresário Delcir Sonda, destinada a quitar salários atrasados do elenco, em meio à crise financeira e ao risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Em entrevista concedida na terça-feira, o investidor criticou a gestão de Alessandro Barcellos e confirmou que mantém na Justiça uma cobrança de R$ 60 milhões contra o clube.

O que aconteceu

O aporte de R$ 20 milhões foi liberado na semana passada, um dia antes de o time entrar em campo contra a Chapecoense, na Arena Condá. Sonda contou que agiu por temor de que um novo tropeço deixasse a equipe ainda mais próxima da segunda divisão. O Inter vinha de 10 partidas sem vitória no Brasileirão e venceu por 2 a 1, resultado que não tirou o clube da zona de rebaixamento, mas manteve aberta a disputa por 11 jogos de recuperação.

A ligação afetiva com o Colorado foi o argumento que ele deu para justificar o depósito. "Eu sou apaixonado pelo Inter e precisava ajudar", afirmou. Sobre o elenco, não poupou: "Vou torcer para que dê certo, mas o time é muito ruim".

O investidor também direcionou críticas à administração de Alessandro Barcellos. Na avaliação dele, os anos de mandato terminaram com um endividamento próximo de R$ 1 bilhão e com resultados esportivos abaixo do esperado. Sonda defendeu uma equipe de trabalho mais qualificada e mais rigor no controle das contas.

O apoio financeiro não eliminou a disputa judicial. Empresas do grupo que ele lidera cobram R$ 60 milhões do clube, e duas dessas cobranças têm origem na operação que envolveu D'Alessandro. A DIS Esportes detinha 50% dos direitos do argentino, que encerrou o vínculo com o Inter em 2020 e seguiu para o Nacional, do Uruguai. O empresário diz ter tentado acordo antes de recorrer à Justiça e afirma que as promessas de pagamento não foram cumpridas.

Na próxima eleição presidencial do clube, Sonda não pretende assumir cargo fixo, mas sinalizou que colaboraria caso o aliado Roberto Melo vença a disputa. Ele também estuda uma visita à delegação antes do compromisso de sábado, contra o time treinado por Dorival Júnior, no Morumbis, em São Paulo.

Por que importa

A doação resolve um problema de curtíssimo prazo, o atraso de salários, e não mexe no quadro estrutural. O clube convive com restrições de transferência por causa de uma dívida com um clube dinamarquês, o que reduz o espaço de manobra para reforçar o grupo em meio à campanha de recuperação.

Os números das categorias de base ajudam a explicar a preocupação do empresário. A projeção de arrecadação com vendas de atletas na temporada é de R$ 205 milhões, patamar que o clube ainda está longe de alcançar. O time sub-20 sofreu o rebaixamento à Série B da categoria em 2025, não conseguiu o acesso em 2026 e teve a campanha na Copa do Brasil sub-20 encerrada logo no primeiro confronto, contra o Barra-SC.

Essa escassez de garotos prontos aparece no time principal. Nenhum jogador formado em casa está entre os titulares, e apenas Anthoni, Allex e João Victor recebem espaço com Paulo Pezzolano, além de Victor Gabriel, que cumpre suspensão.

Nossa visão

O gesto de Sonda é ao mesmo tempo um alívio e um retrato do momento. Um clube que precisa de aporte privado para honrar a folha em plena temporada expõe fragilidade de fluxo de caixa, e a entrada pontual de dinheiro não substitui um plano de recuperação. Chama atenção a coincidência entre o apoio e a cobrança de R$ 60 milhões: o investidor ajuda e cobra no mesmo movimento, o que mostra o quanto a relação entre clube e mecenas ficou tensionada.

O outro ponto é eleitoral. Ao sinalizar apoio a Roberto Melo, Sonda transforma o aporte em peça da disputa interna, e o discurso sobre a base encontra eco nos resultados recentes das categorias de formação. Sem vender atletas, o Colorado perde a principal fonte de receita extraordinária. O desafio de quem vencer a eleição será montar um time competitivo com caixa curto, dívida alta e calendário apertado.

Créditos: ge Rio Grande do Sul

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