Pular para o conteúdo

Notícia

Grêmio fecha acordo e usará venda de Gabriel Mec ao Porto para quitar dívida de R$ 19 milhões

Clube reconhece débito com o empresário Giuliano Bertolucci, originado na transferência de Pepê ao Porto em 2021, e pagará em duas parcelas.

Por Redação Agora na Bola

  • Grêmio
Gabriel Mec, Grêmio, em foto de br.bolavip.com
Foto: br.bolavip.com

O Grêmio chegou a um acordo com o empresário Giuliano Bertolucci para quitar uma dívida de R$ 19 milhões e vai usar parte do dinheiro da venda de Gabriel Mec ao Porto para fazer o pagamento. O clube reconheceu o débito na Justiça e dividiu a quantia em duas parcelas.

O que aconteceu

As duas partes protocolaram em conjunto, no dia 3 de setembro, uma petição em que o Tricolor assume o valor de R$ 19.012.850,01 devido ao empresário. A cobrança vem de serviços prestados por Bertolucci na negociação que levou o atacante Pepê ao Porto, no começo de 2021.

O pagamento ficou dividido assim: a primeira parcela, de R$ 6 milhões, vence em até cinco dias depois de o clube receber a primeira parcela do Porto pela venda de Mec, ou até o próximo domingo, o que ocorrer primeiro. O saldo restante, de R$ 13.012.850,01, tem o mesmo prazo de cinco dias contado a partir do recebimento das demais parcelas do Porto, ou vence em 20 de outubro deste ano.

O total inclui o valor principal, juros, multa convencional e honorários advocatícios. Com o vínculo criado pelo acordo, parte dos recursos da transferência de Mec fica presa a essa finalidade, e o Grêmio não pode dar outro destino ao dinheiro.

O meia-atacante de 18 anos foi vendido por 11 milhões de euros, cerca de R$ 64,9 milhões, e o clube detinha 80% dos direitos econômicos do jogador.

Se os prazos vencerem sem pagamento, o valor em aberto pode ser executado de forma integral e acrescido de 120% do CDI. Nesse caso, ficariam penhoradas receitas de televisionamento e de exploração audiovisual das partidas, cotas de participação em competições, premiações e valores de transferências de atletas.

O clube não divulgou comunicado próprio sobre o acordo até a publicação desta matéria.

Por que importa

O caso mostra como uma negociação antiga ainda pesa no caixa do Grêmio. A dívida nasceu de uma transferência de 2021 e só agora encontrou uma fonte de recursos amarrada a ela, no mesmo mercado europeu que levou Pepê e, cinco anos depois, Mec.

Para o torcedor, o efeito prático é direto: o dinheiro que entra pela venda do jovem atacante não fica todo disponível para reforços, salários ou outras obrigações. Uma fatia relevante já tem dono definido em documento assinado pelas duas partes e apresentado à Justiça.

O mecanismo de garantia previsto no acordo também merece atenção. A possibilidade de penhora sobre receitas de transmissão, cotas de competição e premiações atinge exatamente as linhas de receita mais previsíveis de um clube de Série A. É o tipo de cláusula que funciona como pressão extra para que os prazos sejam cumpridos.

Há ainda a dependência do calendário de pagamentos do Porto. Como os vencimentos aqui estão atrelados ao recebimento das parcelas portuguesas, qualquer atraso do comprador empurra a data limite do lado brasileiro, mas não elimina o compromisso.

Nossa visão

O acordo resolve o passivo no papel e evita uma execução imediata, o que é positivo para a saúde financeira do clube em um momento de reconstrução do departamento de futebol. Ao mesmo tempo, escancara um limite: parte do maior negócio recente do Grêmio já estava comprometida antes de o dinheiro chegar.

A leitura fria é que o clube trocou um risco jurídico por um compromisso de fluxo de caixa. O reconhecimento do débito encerra a disputa sobre o valor, mas amarra a receita da venda de Mec a uma obrigação antiga. Se as parcelas do Porto entrarem no prazo, o problema se resolve sem maiores danos. Se atrasarem, a cláusula de 120% do CDI e as garantias sobre receitas viram um problema bem maior do que os R$ 19 milhões originais.

Fica a lição de gestão: acordos de intermediação firmados anos atrás continuam produzindo efeitos muito depois de o jogador envolvido ter saído do clube. Controlar esse passivo é tão importante quanto negociar bem cada venda.

Créditos: ge Rio Grande do Sul

Continue lendo

Agora na Bola

Site independente. Não temos vínculo com clubes, CBF, Conmebol, FIFA ou federações. Nomes de clubes e competições são citados apenas para identificação.

Conteúdo revisado e assinado pela redação; fatos com fonte linkada

Todos os textos são originais e independentes

2026 · Agora na Bola