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Barcellos diz que Inter precisa arrecadar de R$ 60 milhões a R$ 70 milhões até dezembro
Valor foi apresentado a conselheiros e pré-candidatos; doação de Delcir Sonda cobre R$ 20 milhões e restariam R$ 50 milhões a buscar no ano
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O Internacional precisa levantar algo entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões até dezembro para fechar o ano com salários, direitos de imagem, atrasados e 13º salário quitados. O número foi apresentado pelo presidente Alessandro Barcellos em reunião com conselheiros e pré-candidatos à presidência. A conta ganhou alívio parcial com a doação de R$ 20 milhões do empresário Delcir Sonda.
O que aconteceu
Barcellos levou o montante ao encontro realizado no Beira-Rio com conselheiros e pré-candidatos ao comando do clube. Para manter o elenco em dia, a necessidade de caixa ficaria entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões. A projeção reúne folha salarial, direitos de imagem, débitos já vencidos, antecipação do 13º e as receitas ainda previstas até o fim do exercício.
O primeiro aporte veio de Delcir Sonda, que confirmou a doação de R$ 20 milhões. A articulação do acerto teve participação de Roberto Melo, pré-candidato à presidência, que recebeu o empresário em São Paulo. Com essa entrada garantida, a distância a percorrer até dezembro ficaria em torno de R$ 50 milhões.
O tema deixou de ser apenas contábil e chegou ao vestiário. Antes do Gre-Nal 454, pela volta das quartas de final da Copa do Brasil, o clube quitou um mês de direitos de imagem em atraso e adiantou o pagamento de setembro ao grupo, medida que ajudou a garantir a concentração dos jogadores para o clássico. Já no duelo anterior entre os dois times, o grupo não se concentrou para o jogo. A justificativa apresentada na ocasião foram os pagamentos em atraso.
A crise também travou o mercado. A Fifa aplicou transfer ban ao clube por causa da dívida ligada ao zagueiro Juninho com o Midtjylland, da Dinamarca. A punição impede o registro de novos reforços enquanto a pendência não for resolvida.
Até esta publicação, o clube não informou um calendário de pagamentos nem detalhou de onde virão os recursos que faltam até dezembro. Não há dado público consolidado sobre novas fontes de receita para o caixa colorado.
Por que importa
A pressão financeira caminha junto com a temporada irregular no Campeonato Brasileiro. A vitória por 2 a 1 sobre a Chapecoense, na 27ª rodada, levou o Inter a 28 pontos, a mesma pontuação do Grêmio, primeiro clube fora da zona de rebaixamento, e um ponto atrás do Mirassol, 15º colocado.
Em novembro, o clube passa por eleição presidencial. Isso transforma a recomposição do caixa em tema de campanha: quem chegar ao comando herda a tarefa de equilibrar as contas e, ao mesmo tempo, sustentar um time que briga para não cair. O transfer ban aumenta o custo dessa equação, porque limita qualquer tentativa de reforçar o grupo enquanto a dívida com o clube dinamarquês não for quitada.
Vale lembrar que o calendário não dá trégua. Restam compromissos do Brasileirão e a continuidade da Copa do Brasil, competições em que resultados ruins aprofundam o problema esportivo e, por consequência, reduzem receita de premiação e de bilheteria. Não há dado público consolidado sobre o tamanho exato desse impacto no orçamento.
Nossa visão
A doação de R$ 20 milhões resolve o urgente, não o estrutural. Ela cobre os atrasos imediatos com o elenco, mas não altera o fato de que o clube precisa gerar caixa novo nos últimos meses do ano. A diferença entre ter um mecenas pontual e ter um fluxo de receita previsível é justamente o que separa um ano conturbado de uma crise longa.
O ponto mais delicado é a combinação entre eleição, transfer ban e briga contra o rebaixamento. Cada uma dessas frentes consome energia e tempo de quem dirige o futebol. Se o Inter não conseguir ampliar a arrecadação até dezembro, o novo presidente assume com restrição de mercado, elenco cobrando em dia e a necessidade de reconstruir a confiança de quem trabalha no dia a dia do Beira-Rio. A resposta a isso deve vir menos de anúncio e mais de gestão de caixa nas próximas semanas.
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