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Grêmio contesta declarações do presidente do Vitória sobre dívida por Wagner Leonardo

Clube gaúcho rebate Fábio Mota e afirma que valor devido é menor que o divulgado; direção nega processo judicial

Por Redação Agora na Bola

  • Grêmio
Wagner Leonardo em jogo do Grêmo contra o Vitória em 2025 no Barradão
Foto: Celo Gil/Grêmio, via ge

Após a derrota por 1 a 0 para o Vitória, o Grêmio reagiu às críticas do presidente do clube baiano, Fábio Mota, sobre a dívida envolvendo a transferência do zagueiro Wagner Leonardo. O dirigente chamou o Tricolor de "time caloteiro". A direção gremista afirma reconhecer o débito, mas em montante diferente do divulgado por Mota.

O que aconteceu

O capítulo da 26ª rodada do Campeonato Brasileiro colocou frente a frente Vitória e Grêmio no Barradão, em Salvador. O time baiano levou a melhor por 1 a 0. Após o apito final, Mota fez críticas duras ao clube gaúcho, chamando-o de "time caloteiro" e informando que teria levado o caso à Justiça. Ele também reclamou da ausência de dirigentes gremistas no estádio.

A resposta gremista veio com contestação pontual. Pela versão tricolor, o valor correto da dívida é de pouco mais de US$ 1 milhão, enquanto o dirigente citou US$ 2,5 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 12,8 milhões. O Grêmio admite o débito, mas não os valores informados pelo presidente do Vitória.

Outro ponto de divergência é a judicialização. O clube gaúcho nega ter recebido qualquer citação formal sobre essa pendência e diz que o caso não tramita na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão que o Grêmio considera o foro adequado para o debate. Em relação à acusação de ausência no Barradão, a direção garante que o vice-presidente de futebol, Rafael Lima, e o executivo Paulo Pelaipe acompanharam a partida.

Ainda segundo a apuração, o Grêmio tentou um acordo recente. Houve negociação com o Vitória, que sinalizou interesse em receber o próprio Wagner Leonardo como parte do pagamento, além de um valor adicional para encerrar a dívida. O Tricolor aceitou, mas o clube baiano pediu uma garantia bancária formal. O Grêmio a apresentou, e o Vitória recuou, desistindo do trato.

Nos bastidores, comenta-se que Fábio Mota teria antecipado a quantia total da transferência com um fundo de investimento, ficando o clube com a obrigação de repassar recursos ao credor. Isso explicaria a pressão pela cobrança. Essa informação, porém, não é confirmada oficialmente.

Wagner Leonardo foi adquirido pelo Grêmio no início de 2025 por US$ 4,5 milhões, montante equivalente a cerca de R$ 26 milhões na cotação da época. No duelo de segunda, ele permaneceu como reserva, condição que vem se repetindo no elenco atual.

Por que importa

O imbróglio não é inédito na relação entre os dois clubes. No ano passado, o Vitória ingressou na CNRD contra o Grêmio por uma dívida referente ao lateral Lucas Esteves, caso distinto do atual. Mais recentemente, o próprio Grêmio apresentou um pedido de plano coletivo de pagamento de dívidas na entidade, mas a pendência com o Vitória não aparece nessa lista, o que reforça a tese gremista de que não há um passivo formalmente reconhecido.

A disputa financeira, ainda sem desfecho, pode marcar o clima entre as diretorias para futuras negociações de atletas. A permanência de Wagner Leonardo no elenco gaúcho também ganha contorno jurídico, já que o Vitória demonstrou interesse em contar novamente com o zagueiro, seja como compensação, seja em repasse futuro. O caso segue dependente de definição sobre valores e instância de arbitragem, sem que haja decisão pública dos envolvidos.

Nossa visão

A troca de acusações públicas entre presidentes costuma inflar o debate, mas o que precisa ser resolvido é a divergência numérica. O Grêmio admite o débito, o que é um ponto pacífico. A diferença entre US$ 1 milhão e US$ 2,5 milhões, porém, é relevante demais para ficar apenas na esfera da retórica.

A CNRD aparece como o caminho mais curto para pacificar o caso, evitando uma disputa judicial longa e desgastante para ambos. Enquanto as direções não alinharem os valores e a forma de pagamento, Wagner Leonardo seguirá com sua situação contratual atravessada por um imbróglio que extrapola o campo. O ideal seria que os clubes retomassem o diálogo com cifras claras sobre a mesa, já que o atleta, neste momento, é peça de um quebra-cabeça financeiro.

Créditos: ge

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